Ventilação e Renovação de Ar

Ventilação e renovação do ar na restauração

 

A correcta implementação de processos de ventilação e renovação do ar na restauração para além de obrigatória deve ser entendida pelos empresários como uma vantagem em termos da Qualidade do serviço prestado e das condições de trabalho.

 

O que dizem os Diplomas legais:

 

·         A ventilação do armazém de produtos alimentares deve ser assegurada através de um sistema autónomo e permanente de renovação de ar para o exterior;

 

·         As cozinhas dos estabelecimentos de restauração e de bebidas deverá obrigatoriamente possuir uma ventilação adequada às dimensões da mesma;

 

·         As copas, cozinhas e zonas de fabrico devem ter ventilação e iluminação naturais suficientes ou, quando tal não seja possível, ventilação e iluminação artificiais adequadas à sua capacidade e tipo de laboração/produção;

 

·         As copas, cozinhas e zonas de fabrico devem ser equipadas com dispositivos eficazes de extracção de fumos e cheiros, e de renovação contínua de ar;

 

·         As condutas de evacuação de fumos e cheiros devem ser em material incombustível e ser instaladas nos termos da legislação e normas em vigor;

 

·         O funcionamento das condutas e chaminés não pode causar inconvenientes ou incómodos a terceiros, nem ser causa de insalubridade ou originar prejuízos para as edificações vizinhas.

Deste modo é fundamental que qualquer empresário do sector da restauração conheça as possíveis alternativas e respectivas vantagens e desvantagens dos diferentes produtos existentes no mercado.

No momento da aquisição deve ser realizado um estudo dos custos de manutenção de consumos energéticos de cada sistema.

O sistema mais indicado para a restauração é o sistema de condutas, que permitem renovar e filtrar o ar e ao mesmo tempo controlar a temperatura e humidade do mesmo.

O processo de renovação do ar permite remover o ar rico em CO2 e introduzir no sistema (cozinha e espaços afectos aos clientes) ar rico em O2. Este sistema acoplado a um bom sistema de filtros removerá maus cheiros provenientes da cozinha e do fumo do tabaco.

Este último é de extrema importância visto que evita que o ar não se torne muito seco e assim afectar as vias respiratórias.

 

As condutas colocadas junto ao tecto serão facilmente dissimuladas com a colocação de um tecto fácil, no qual facilmente serão colocados os difusores.

Sistemas de Ventilação Mecânica nas Cozinhas Profissionais

Os sistemas de ventilação mecânica que actualmente se podem encontrar nas Cozinhas Profissionais são:

a) Sistemas de Exaustão/Extracção por ““hotte””:

b) Sistema de Ventilação por ““hotte”” (3 tipos): (conforme a NP 1037-4:2001).

c) Sistema de Ventilação por Tecto Ventilado (conforme a NP 1037-4:2001).

Caracterização dos Tipos e dos Sistemas de Ventilação

a) Sistema de Exaustão/Extracção

É um sistema que consiste na extracção do ar de um «local/recinto fechado», substituindo-o por ar fresco das zonas limítrofes que entram no local pelas «aberturas acidentais» tais como frestas de portas e janelas, grelhas específicas, etc.

O ventilador é, normalmente do tipo centrífugo, instala-se na cúpula da conduta da chaminé em base de assentamento em betão, especialmente concebida para o efeito. Pode estar localizado numa zona central ou encostado a uma parede ver figuras 1 e 2)

Sendo a substituição do ar realizada por «depressão», ou seja, o ar irá deslocar-se de zonas de maior pressão (locais distantes da zona de extracção: ex. armazéns, salas, etc.) permitindo assim a entrada de poeiras, cotão, insectos, e outras partículas em suspensão, para os locais limpos (cozinhas).

Trata-se do sistema mais implementado, mas pelas razões apresentadas anteriormente, não reúne as condições para estar conforme a Norma NP 1037-4:2001, nomeadamente em cozinhas. Contudo, e na Restauração e Hotelaria pode ser usado em algumas situações como por exemplo:

·         Extracção de maus cheiros de WC's

 

Figura 1 - ““hotte”” de Exaustão Central

Figura 2 - ““hotte”” de Exaustão Parietal



b) Sistema de ventilação por ““hotte”” indutora

De acordo com a norma NP 1037- 4:2001 o ar das zonas de produção deve ser mantido o mais estável possível, quer em termos de temperatura quer da humidade (ver tabela).

Numa cozinha precisamos de extrair o ar viciado e insuflar (induzir) ar, de tal modo que, o espaço não sofra grandes variações paramétricas da temperatura (+/-2ºC). A alimentação do ar deve ser realizada com caudais muito baixos (não superiores a 0,3 m/s) e de preferência muito próximo do caudal de ar a extrair. O sistema é conseguido através de uma unidade de ventilação (UV) que filtra convenientemente o ar e o conduz ao limite da envolvente da ““hotte””. Este mecanismo permite criar uma "barreira" ou "cortina de ar" que separa o ar da cozinha e dos vapores, gases e fumos que se desenvolvem no Bloco de Confecção.

Este sistema não requer que o ar seja pré-aquecido no Inverno.

Desvantagens: Custo inicial elevado; dificuldade construtiva, difícil de estabilizar, possibilidade de produzir ruído. Por isso pode ser considerada uma solução intermédia entre a instalação de uma “““hotte””” de Exaustão tradicional e uma “““hotte””” Compensada, já que o ar exterior não é insuflado na Cozinha, mas no próprio Bloco de Confecção. Com esta solução simplifica-se a instalação, reduzem-se os custos de funcionamento e reduz-se a manutenção. Exemplo de instalação e funcionamento da “““hotte””” Indutora encontra-se na Figura 3.

  

Figura 3 - Instalação e Funcionamento de uma ““hotte”” Indutora Parietal

c) Sistema de ventilação por ““hotte”” COMPENSADA

Trata-se de um dos sistemas mais eficazes para ser instalado nas cozinhas. O modo de funcionamento deste sistema de ventilação é sustentado numa Unidade de Tratamento de Ar (UTA), na qual o ar será climatizado para a posterior insuflação. A exaustão dos fumos, vapores, gases, entre outros, gerados na zona de confecção é realizada através de uma unidade de ventilação, que permite a renovação controlada do ar, em função da estação do ano. A captação dos fumos, vapores, gases será efectuada por ““hotte”” compensada cujo caudal de insuflação será compreendido entre 80% e 95% do caudal de exaustão (ver figura 4).

Vantagens: É o sistema que melhor cumpre a NP 1037-4:2001, estabilizando de modo eficaz os valores paramétricos (temperatura e humidade).

  

Figura 4 - Instalação e Funcionamento de ““hotte”” Central Compensada

A principal desvantagem deste sistema é o elevado custo de funcionamento e ainda o facto de o ar que é aquecido é logo a seguir devolvido ao exterior.

Algumas regras de boa prática da arte a serem respeitadas, no dimensionamento:

d) Sistema de ventilação MISTA (Indução+Compensação)

Trata-se de uma solução intermédia entre a “hotte” Indutora e a Compensada.

O funcionamento permite insuflar (induzir) entre 40 a 50% do caudal de extracção. O ar exterior é apenas filtrado. Paralelamente, apenas 40 a 50% do caudal de extracção irão ser tratados (filtrado e aquecido até 25ºC - no Inverno) para manter a Cozinha dentro dos valores paramétricos exigidos pela legislação em vigor

Vantagens: menores custos de exploração e funcionamento, sendo o sistema que possui a melhor relação custos iniciais/exploração e manutenção.

Desvantagens: Complexidade de cálculo, construção, maior sistema e número de condutas e afinação. Para além disso requer mais uma unidade de ventilação.

 

Figura 5 - Instalação e Funcionamento de “hotte” Parietal Mista (Indutora/Compensada)

 

e) TECTO VENTILAD - Sistema de ventilação MISTA (Indução+Compensação)

 

O princípio de funcionamento é semelhante ao da “hotte” central compensada. Contudo, neste caso dispensam-se as tradicionais “hotte”s e, em vez disso, recorre-se a elementos modulares compostos por «cassetes» que, além de insuflarem o ar pré-tratado já à temperatura ambiente, extraem os vapores, fumos e gases gerados na zona de confecção, sem causarem correntes de ar. O ar é insuflado pela «cassetes» da periferia, provocando uma ligeira corrente (<0,3 m/s) para a zona central, onde se encontram instaladas colocadas as «cassetes» de exaustão. Os vapores e gorduras, que logicamente têm tendência a deslocarem-se segundo um fluxo ascendente, são agora «auxiliados» por todos os lados, através da corrente de ar insuflado, e arrastados para o exterior.

O tecto ventilado deverá abranger toda a cozinha, sendo composto por duas zonas distintas: uma de insuflação e outra de exaustão. A zona de exaustão localiza-se na parte central, sobre a zona de confecção, onde estão os principais equipamentos produtores de gorduras, fumos e vapores. A zona de insuflação encontra-se na periferia da cozinha e em volta da zona de aspiração. Contudo, a localização destas zonas poderá ser diferente, dependendo da forma e disposição dos equipamentos de confecção previstos para a cozinha.

Apesar de existirem poucos exemplos já implementados em Portugal, trata-se da «solução do futuro» não só para as cozinhas profissionais, mas também para as do tipo hospitalar.

Em termos de Segurança Alimentar estão garantidas as perfeitas condições de higiene e de minimização de contaminação cruzada.

As gorduras serão removidas por lavagem mecânica, das “cassetes” que compõem o tecto ventilado, na máquina de lavar monocuba ou de túnel.

 

NP 1037-4:2001 - Instalação e Ventilação das Cozinhas Profissionais

Breve descrição

Parâmetros e valores de funcionamento de referência

A Norma EN NP 1037-4:2001 responde aos requisitos do Regulamento (CE) n.º 852/2004, criou a que assenta, sobretudo, nos padrões de qualidade dos equipamentos e sistemas fabricados em acordo com as Normas ISO 9001:2000. Aquela NP, homologada em 23/10/2001 e em vigor desde Junho de 2002, descreve, com rigor as normas e condições de funcionamento das Cozinhas Profissionais, nomeadamente:

 

 

 

Fonte: Climanet